Lendari entrevista: Carol Peace, autora de “A Ponte”

Carol “Peace” Medeiros não é estreante na literatura e nas artes. Escritora e ilustradora, nossa conterrânea já participou de antologias por editoras como Draco e teve material publicado na revista Trasgo. Ativa, Carol publica webnovelas em seus canais oficiais. Na entrevista a seguir, a escritora fala um pouco de sua carreira e de sua chegada à Lendari, com o conto de bolso A Ponte.

Carol Peace (Arquivo pessoal)

1-Qual o primeiro livro que você recorda de ter lido na vida? Qual autor(a) e falava sobre o quê?

Quando ainda não sabia ler, minha mãe sempre lia livros para mim, especialmente as histórias dos irmãos Grimm e as histórias de Hans Christian Andersen. A história que me recordo melhor desse momento da vida é justamente uma história escrita por Hans Christian Andersen: A Princesa de Verdade (posteriormente traduzida como “A Princesa e a Ervilha”).

A história me marcou bastante por conta do foco em tentar encontrar o que faria uma princesa ser ou não uma princesa, e que no fim não bastava a moça da história ter tantas qualidades, ela ainda tinha que provar para futura sogra que era, de fato uma princesa. Talvez essa questão de sempre ter que “provar” as coisas que já estão bastante claras seja algo que mova meus personagens até hoje.

2-Você recorda em que momento de sua vida sentiu desejo de ser escritora? Explique.

No momento em que comecei a escrever o ânimo de escrever um livro já estava ali. Parece extremo, mas é verdade. De fato, sempre escrevi diversas histórias (as quais minha mãe até hoje guarda) e não parei desde então. Escrever, para mim, se assemelha a respirar; é uma necessidade básica ainda que a maior parte do que eu escreva seja muito mais para mim do que para o público.

3-O que você já publicou até hoje? Fale um pouco de cada título, conto.

Contando publicações em revistas e coletâneas, tenho dois contos publicados; um deles pela editora Draco e outro pela revista Trasgo. Pela Draco, publiquei o conto TK2K em uma coletânea chamada Samurais X Ninjas. É uma distopia com ares cyberpunk em que cunhei um herói bastante improvável. Contar mais do que isso estragaria a surpresa, mas para quem tiver interesse, é possível adquirir a história no site da Draco.

Na revista Trasgo publiquei a história Você está morto, Jesse Danvers, que também é uma distopia cyberpunk, contudo a temática é bem mais adulta, uma vez que escrevi voltado para o público LGBTA+. É possível ler a história pelo site da revista Trasgo.

Também publico webnovelas (histórias publicadas online), dentre as quais posso citar a mais conhecida A Ordem do Amanhã, em que conto as desventuras de vários personagens com poderes que são tudo, menos heróis. Você pode ler a primeira temporada no site.

4-Quais suas principais influências para suas histórias?

Acredito que a própria sociedade me inspire a escrever. Ao escrever distopias e cyberpunk, na verdade estou escrevendo sobre a realidade atual, os temores e os problemas que vivemos hoje. Ficção Científica é, na verdade, a imagem do mundo atual, ainda que através dos óculos de uma realidade adaptada. Logo, hoje é minha inspiração para escrever o amanhã.

5-E para texto, tem alguém em quem se inspire?

Acredito que minhas grandes inspirações são livros de distopia mais clássicos, tais como Laranja Mecânica (Anthony Burgess) e Admirável Mundo Novo (Aldous Huxley). Contudo, a grande inspiração para resolver escrever SF é a Mary Shelley, enquanto na questão de estilo, busco a sutileza de PKD em seus contos e as metáforas de William Gibson para poder construir minhas ficções.

A Ponte, de Carol Peace, em capa de Gaby Firmo de Freitas.

6-Fale um pouco do novo título que será publicado pela Lendari.

A Ponte é uma história que apresenta um mundo destruído pelas ambições humanas. Mostro o lado mais “distopia” de um mundo que deveria se mostrar como uma realidade utópica em que a paz é mantida através da guerra. A grande surpresa está em descobrir onde a história está se passando, afinal, nada é mais aterrorizante do que o mundo em que estamos vivendo hoje. Quanto aos personagens, basta você saber que os inatos possuem poderes e talvez sejam a evolução da espécie humana — será que estamos preparados para sobreviver a mais uma evolução?

7-O que os leitores podem esperar de seu novo título?

Os leitores podem esperar muitas surpresas, protagonistas completamente diversos e uma história instigante que fará com que repense sua própria realidade.

8-Quais suas expectativas com esta nova publicação?

Sempre penso positivo! Acredito que os leitores que já acompanham meus trabalhos vão gostar de poder adquirir a versão pocket e receber o título em casa. Também espero alcançar novos leitores, especialmente na Região Norte, já que sou mais conhecida no Sul e no Sudeste.

9-O que espera de seu futuro como escritora?

Espero continuar trabalhando em parceria com a editora, afinal o sonho de todo escritor é lançar uma série de livros. Ficção Científica para todos é o meu lema!

10-Qual sua avaliação do mercado editorial hoje, principalmente na literatura nacional?

Em 2017 soube que o Brasil é um dos países em que mais se publicam livros. Talvez isso, por si só, seja uma avaliação positiva do mercado editorial brasileiro. O que espero é que o Brasil se torne um dos países em que mais se consome literatura nacional — e essa é minha luta diária, fazer com que a literatura nacional se torne o nosso tipo favorito de leitura.

11-Deixe suas redes sociais, sites e canais de comunicação para contatos com leitores.

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Webnovelas: 
A Ordem do Amanhã — http://tomorrowsorder.tumblr.com/
INFINITY LANDS — http://infinitylands.tumblr.com/ 
Paradise High (O Paraíso não é aqui) — http://paradisehighnovel.tumblr.com/

Last modified: 18/05/2019

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